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"Pedalar me livrou das crises de depressão, me fez perder 30 quilos e a deixar os problemas no asfalto", revela Lú

Foto: Nael Rosa

Lú pratica ciclismo há apenas seis anos, tempo suficiente para, além de perder peso e sair da depressão, se tornar uma campeã

Especialistas que tratam das doenças da mente costumam indicar aos seus pacientes que, associado ao tratamento medicamentoso, estes também incluam em suas rotinas uma atividade física, que pode ser, inclusive, a prática de algum esporte, pois movimentar o corpo eleva os hormônios naturais que geram bom humor e estes mantêm, por exemplo, o estresse, para muitas pessoas a porta de entrada para problemas psicológicos, à distância.


Lúcia Peres dos Santos, 48 anos, a Lú, tinha mais de um motivo para seguir a orientação: além de ter depressão, estava com sobrepeso, assim, pela insistência do filho Darlã, 22 anos, e do sobrinho Celomar dos Santos, 30 anos, que praticavam ciclismo, comprou uma bike e passou a pegar diariamente a ERS-702, rodovia estadual que permite chegar ou sair de Piratini.


Ela resume o resultado após sete anos ao pedal: “resisti, mas de tanto eles insistirem, resolvi experimentar, mesmo que, muitas vezes, quando aconselhada a pedalar, eu perguntava: vocês pensam que eu não tenho o que fazer? Hoje eles não pedalam mais, já eu, não me vejo longe da bicicleta, pois assim, além de me livrar das crises de depressão, perdi 30 dos 86 quilos que até então pesava”.


Agora, Lu divide o seu tempo entre a produção das suas bolachas e biscoitos caseiros e, também a confecção de bolos para aniversário, uma das atividades que garantem seu sustento (a outra renda vem ao ser cuidadora de idosos), e o asfalto, onde costuma percorrer 50 quilômetros diários.


Com tanta disciplina, se tornar uma campeã da modalidade foi algo que aconteceu naturalmente, uma consequência de tamanha obstinação.  


“Comecei a pedalar em 2017. Dois anos depois já estava competindo e conquistando troféus e medalhas. A primeira vitória veio quando participei da Rota do Pêssego, em Canguçu. De lá para cá, já nem sei quantas vezes venci ou no mínimo, cheguei a pódio. Mas compito entre duas e quatros vezes por ano”, conta a ciclista.


Entre as tantas vezes que chegou à frente dos demais, ela recorda da única em que não venceu, de fato, mas, em sua opinião, foi a participação mais marcante.


“Em Rio Grande, na Volta da Ilha, quando eu só tinha um ano de pedal, eu decidi não me inscrever entre as mulheres. O resultado foi que finalizei os 56 quilômetros da competição cruzando a linha de chegada junto com o vencedor entre os homens. Foi algo lindo e emocionante. Quando a torcida percebeu que, ao lado dele, na reta final, estava uma mulher, vibrou e gritou muito”, recorda.


O último desafio concluído foi cumprir o percurso exigido pelo “Pedala Bike Brasil”, competição paulista e online, também conhecida por "Desafio Piratas do Caribe", em que os participantes tiveram como meta fazer 750 km em 30 dias, o que foi acompanhado à distância pela organização da prova através de um aplicativo instalado no celular dos competidores, estando este, conectado com os fiscais da prova. Novamente, a disciplina e o preparo físico adquirido com o esporte fizeram a diferença: “eu concluí a quilometragem exigida em 15 dias”.


Ela finaliza, resumindo a sensação do que nela o ciclismo causa: “quando saio para pedalar me esqueço dos problemas, na verdade, de tudo. Ao retornar para casa me sinto leve, o que é ruim fica para trás, no asfalto”.


Reportagem: Nael Rosa

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