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  • Foto do escritorNael Rosa

Em busca de valorização, artesão que criou o pórtico para a Semana Farroupilha e os troféus da Vertente da Canção, diz que vai deixar Piratini

Foto: Nael Rosa

Sandy e Márcio Marques, entendem que a mudança se faz necessária para, com isso, conquistarem a independência financeira

Em 2020, ano em que, diante da pandemia de Covid-19 ocasionada pelo coronavírus milhões de empreendedores no mundo inteiro foram obrigados a fechar as portas de suas empresas e, de uma hora para outra não mais terem suas fontes de renda, o casal, Márcio Marques, 46 anos, e Sandy Leal, 25, optaram por ir na contramão do que acontecia naquele momento e, mesmo com imensas dificuldades financeiras, deram início ao sonho de viver de tudo o que é possível fazer no ramo da marcenaria.


Pouco mais de três anos se passaram desde a tomada dessa decisão e, por inúmeros fatores, alguns que serão relatados nessa reportagem, a meta traçada por ambos ainda não foi possível ser atingida em decorrência dos ganhos somente oportunizarem a eles sobreviver e não, viver e crescer financeiramente com a comercialização das peças produzidas a partir da madeira.


Mas a ambição mínima necessária para quem busca prosperar, já oportunizou sim, o crescimento da Rústicos da Capital, que, entre outras tantas criações que se destacam em diferentes pontos da cidade, está o pórtico que, desde 2022, mudou o cenário encontrado por quem acessa o Centro de Eventos Erni Pereira Alves por ocasião da Semana Farroupilha, oportunidade em que os visitantes podem conhecer e apreciar uma pequena mostra do que Marques é capaz de fazer através de suas mãos habilidosas.

 

“Comecei em 1998 produzindo números para identificar endereços de residências, o que fiz para conseguir dinheiro e pagar o aluguel. Lembro que a primeira peça que fiz, vendi em 15 minutos. De lá para cá, o que sei fazer aprendi sozinho, mas confesso: o suporte fornecido pela internet, onde você pode assistir tutoriais que te permitem criar ou, por outra, melhorar o que você vê nos vídeos à disposição, tem me ajudado muito”, revela o marceneiro e artesão que também faz anualmente a parte decorativa o festival Vertente da Canção Nativa, evento para o qual, no ano passado, confeccionou ainda os troféus entregues aos músicos vencedores.


A oportunidade de expor a sua arte nas duas maiores festas da Capital Farroupilha era, até bem pouco tempo, algo inimaginável para ele, pois as dificuldades que, assegura, ainda existem no tocante ao reconhecimento almejado, já foram imensamente maiores. Juntos durante a entrevista ao site Eu Falei, o casal relembrou os perrengues passados quando, o então pequeno negócio iniciado na garagem da casa onde moravam no bairro Vila Nova, rendia muito pouco, e isso levou, por repetidas vezes, Marques a pensar em desistir e buscar outra forma de sustento, o que só não aconteceu devido à persistência e apoio da companheira com quem é casado há nove anos.


“Tornei a insistir em atuar como marceneiro, o que já havia feito em 2011, mas precisei, por motivos familiares, interromper o projeto. No retorno, Inicialmente tive apenas a intenção de fazer consertos nos móveis da vizinhança, afinal, possuía só duas máquinas. Assim, o que entrava de dinheiro não era suficiente para nos manter, inclusive, a energia elétrica foi cortada algumas vezes por falta de pagamento. Para que eu não desistisse, foi essencial o apoio da Sandy, que conseguiu um emprego em um mercado e, então, me disse:”


“Márcio: todo o dinheiro do meu salário será usado para pagar as contas da casa e comprar comida. Tudo que tu conseguires com a marcenaria, investe em ferramentas para continuar trabalhando”, recorda, para após, reconhecer:


“Minha esposa, que também é meu braço direito e o cérebro do nosso negócio, foi um divisor de águas em todas as minhas futuras decisões”. 

 

“Foram momentos difíceis sim. Mas isso não foi novidade para mim, já que minha mãe me criou sozinha e, mesmo que nunca tenhamos passado fome, enfrentamos algumas dificuldades na vida. Por isso, eu, que acho o Márcio muito talentoso, não tive dúvidas e, mesmo diante das batalhas que enfrentamos, mantive a fé em Deus, o estimulando para sempre continuar. Ainda estamos longe de atingirmos todos os nossos objetivos, mas entendo que a fase mais complicada ficou pra trás”, acrescenta Sandy.


Ela se refere principalmente, a atual situação em que os dois se encontram, pois mesmo ainda distante do que buscam para obter a independência financeira e, com isso, conquistas como, por exemplo, a casa própria, agora as criações do marido, bem como todo tipo de reparo em carrocerias de caminhão, criação de peças artesanais e fabricação de móveis rústicos e outros tantos objetos em madeira, ocorrem em um amplo galpão alugado na Avenida Seis de Julho, onde eles contam com o reforço na mão de obra de dois funcionários.


“A Sandy pediu demissão do emprego, juntamos R$ 4,5 mil e decidimos alugar esse prédio. Também compramos as máquinas de um marceneiro que se aposentou e as vendeu para nós de forma parcelada e na confiança. Agora geramos dois empregos, mas já foram cinco. Como Piratini é uma cidade que se encontra fora de rota, já que é preciso dirigir por mais 35 quilômetros até aqui, assim que se chega ao trevo com a BR 293, sendo essa uma das razões que eleva o custo de tudo que produzimos, esse também foi só um dos fatores que nos levou à redução da equipe. Hoje temos somente dois colaboradores, mas já foram cinco”, lamenta Marques, que vai além:


“Enfrentamos ainda a falta de matéria prima. Tudo que precisamos é comprado em cidades vizinhas. Assim, temos que pagar frete para transportar, sem falar em algo que, confesso, me deixa chateado: aqui, exceto os turistas, a maioria das pessoas não aceita, acha caro pagar o preço que, asseguro, é justo, pelo meu trabalho”.


Os tantos problemas comuns às cidades de pequeno porte e que são uma barreira encontrada por quem decide empreender, fizeram o casal tomar uma decisão: o momento de deixar o município e mudar para uma metrópole para, só assim tentar encontrar as condições necessárias que permitam manter o sonho de crescer financeiramente através do ramo escolhido como profissão, está muito próximo.


“Logo que transferimos a empresa para esse galpão, era comum aquecermos a nossa comida trazida de casa e, aqui, almoçarmos em meio a muito pó de serragem. Ainda hoje, é normal irmos até quatro ou cinco horas da manhã trabalhando, e isso não é saudável para a saúde mental, física e, inclusive, financeira, já que se valesse a pena, não teríamos tomado a decisão de ir embora. Infelizmente, Piratini não comporta e não dá retorno para o que buscamos. Então vamos mudar para Pelotas e, se  por acaso lá também não der certo, iremos em frente até ser possível conquistar o nosso sonho, e este, desde que nos convertemos e passamos a ser evangélicos, sentimos estar menos distante”, finaliza Marques.


Reportagem: Nael Rosa

 

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