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  • Foto do escritorNael Rosa

Mulher de fibra: trabalhando 12 horas por dia, ex-assentada é um exemplo da independência feminina em Piratini

Foto: Nael Rosa

Elisabete trabalha no mínimo 12 horas por dia executando todo tipo de serviço braçal, e tanto esforço, permitiu a conquista da casa própria

 Elas nos dão a vida, não desistem fácil, são aguerridas, muitas, mães solo, tem uma força de vontade invejável, essencial na busca, por exemplo, da independência financeira, algo que, sim, encontra muitos obstáculos, quase todos, impostos por uma sociedade ainda machista, mas todos eles derrubados por talento, capacidade de aprender, de liderar, inclusive a eles, e ainda cuidam, criam e educam os filhos, algumas mantendo sozinhas suas famílias, enfim: as mulheres são sim símbolos da luta incessante travada por direitos iguais.


Ela tem 45 anos e concluiu apenas o Ensino Fundamental quando já tinha dois dos três filhos. Não ocupa nenhum cargo de destaque, o que é cada vez mais comum para elas, mas tem fibra, muita garra e trabalha no mínimo 12 horas por dia.


Sai da cama às 5h da manhã e uma hora depois já está a aparar uma grama, capinar um quintal, podar uma árvore ou a fazer uma faxina.


Uma dos sete filhos de agricultores naturais de Ronda Alta, Norte do RS, por três anos, Elisabete da Rosa penou junto aos pais em acampamentos à beira de rodovias à espera de um pedaço de chão, e em 1990, eles conquistaram um lote no Nova Sociedade, primeiro assentamento de Piratini.


A partir de então, com 13 anos, sua rotina foi exaustiva, algo comum a quem retira da terra o sustento, o que fez por 23 anos até deixar a zona rural e vir para cidade.


“O dia a dia na lavoura me ensinou a encarar todo tipo de tarefa, inclusive as muito pesadas. Nunca precisei procurar trabalho, pois três dias após eu e meus filhos mudarmos para Piratini, surgiu uma faxina e, desde então, as pessoas não pararam mais de me chamar”, afirma a ex- assentada.


Ela revela que fatura em média R$ 2 mil mensais, mas poderia ser mais, já que cobra entre R$ 20,00 e R$ 70,00 de quem a contrata, valor singelo diante do esforço empreendido nos chamados “bicos”, que surgem  diariamente, mas ao justificar esse detalhe, dá uma lição de empatia:


“Sei o que é não ter dinheiro para comprar o que desejamos, assim, me coloco no lugar de quem me oferece trabalho e, muitos destes, são pobres como eu e não possuem condições de pagar mais”.


Sobre o futuro, Elisabete conta os dias para realizar o grande sonho: mudar para a casa própria, moradia que, enquanto estrutura, é tão simples quanto ela, mas há aí um significado todo especial.


“Ajudei a abrir os buracos para fazer os alicerces e já são três anos trabalhando muito para ter minha casa que está quase pronta. Isso me enche de orgulho e me faz ser grata a Deus, afinal, o único dia em que consigo descansar algumas horas é no domingo, quando atendo apenas três clientes, portanto, ver o local onde vamos morar sendo finalizado me deixa muito feliz, pois é fruto do meu suor”, emocionada, resume Elisabete, que arremata:


“Criei meus filhos sozinha, sem nenhuma ajuda financeira do pai deles, mas, por não ter medo do trabalho, hoje, mesmo sendo mãe solteira e vinda de uma família de assentados, me tornei uma mulher independente, o que traz satisfação, pois não dependo de homens para nada, e isso não tem preço”.


Reportagem: Nael Rosa

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