• Nael Rosa

Exclusivo: investigação feita pelo Eu Falei pode ter revelado esquema de fraudes na Crehnor Piratini


Advogado disse que as provas mostram que houve fraude praticada pela Crehnor

Uma investigação que durou uma semana, sendo esta realizada pela reportagem do Eu Falei, pode estar revelando um possível esquema fraudulento que lesou dezenas de agricultores assentados em Piratini, todos clientes da antiga Crehnor Sul no município, cooperativa que em 2016, fez a fusão no Rio Grande do Sul com a Cresol Baser, que a princípio, sem saber das prováveis fraudes, passou a cobrar dos agricultores deviam à instituição.

Nesta quinta-feira (20), após conversarmos com uma das vítimas, esta indicou o seu representante jurídico, o advogado Lucas Wachholz, que denunciou o que ele entende ser operações ilegais envolvendo a antiga gestão da Crehnor que teria contraído dívidas em nome dos seus trinta clientes, que alegam não saber das suas pendências financeiras agora cobradas pela Cresol. Veja o que disse um dos homens que assegura ter sido lesado:

“Segundo o meu advogado, ao analisar a documentação foi possível saber que eles, (funcionários da Crehnor), movimentavam minha conta desde 2009, mesmo eu não pondo os pés na agência desde 2012. Algumas vezes, eu e outros moradores dos assentamentos, assinamos documentos na confiança ao sermos procurados por eles que ofereciam recursos através de projetos e estes necessitavam de nossa assinatura. Não peguei um só real do que em 2019 a Cresol passou a me cobrar”, garantiu um dos assentados, que agora reside na área urbana e para quem asseguramos total sigilo quanto à sua identificação, acordo também foi feito com seu defensor, responsável por revelar como funcionava o esquema.

“Todos os clientes que eu tenho estão na mesma situação, embora alguns tenham me procurado em momentos diferentes. No caso desse homem, são seguidos empréstimos feitos em seu nome e sem seu conhecimento. A dívida dele foi renegociada outras duas vezes no mínimo até não ser mais possível renegociá-la-. Foi quando ele e os demais, passaram a ser cobrados pela Cresol”, explica o advogado que, conforme análise feita por ele, era a própria gestão quem fraudava a documentação para as operações.


No caso específico do cliente que o Eu Falei entrevistou, Lucas Wachhoz disse que ele deve R$ 34 mil, o menor de todos os valores cobrados, mas que obviamente, se somados os montantes de todas as ações, a cifra é bem superior.


“Eu só estou autorizado a falar em nome desse cliente, mas todos tiveram o nome negativado, o que conseguimos reverter posteriormente. Sobre as negociações, eu entendo que são fraudulentas, já que o correto é fazê-las dentro da agência, o que não aconteceu. A forma de agir foi a mesma: primeiro levaram o recibo ao qual podemos chamar de cheque avulso, o que ocorreu apenas uma vez no caso do cliente em questão. Por exemplo:

antigamente, o que não é mais usado pelas instituições financeiras, se você fosse fazer um saque os valores eram preenchidos e com isso o caixa sacava o dinheiro e entregava à pessoa, ficando o “cheque”, arquivado na instituição.”, exemplificou Wachholtz.


Para ele, isso é uma das provas documentais que comprovam a fraude, pois nesse tipo de operação, saque, ao apresentar o cheque avulso é emitido um comprovante e, em algumas oportunidades, isso foi feito fora do horário de atendimento da cooperativa, sendo este comprovante emitido em horários anteriores ou posteriores ao saque.

“Considero isso uma prova robusta, pois como, por exemplo, a pessoa vai sacar o dinheiro às seis da tarde ou às 7:30 da manhã?”, indaga o defensor.

Ele frisou que todas as situações as quais ele denuncia e representa, foram provavelmente cometidas na gestão da Crehnor, e que a Cresol se propôs conversar e verificar todos casos, já que a nova direção não tinha conhecimento do problema. Lucas Wachhotz, destacou que muitas das situações foram alvo de liminares, outras ocorreram acordos judiciais e também extrajudiciais, mas alguns de seus clientes decidiram continuar com o processo na Justiça.


“É claro que isso são suposições, ainda precisará ser comprovado e aguardarmos também o transito em julgado, mas tudo leva a crer que houve uma fraude com participação interna de quem atuava na Crehnor na época dos prováveis fatos. Essa é a minha tese no processo que é público”, disse o advogado, que acrescentou:


“Entendo que outra prova importante é que, em todos os casos, o emitente não conhecia ou conhecia muito pouco o seu avalista, mas nunca sabiam que um havia assinado o aval para o outro, o que é bastante difícil de conseguir quem conceda seu nome até mesmo quando o conhecemos e confiamos”, observa o Wachholz, que além de requisitar que cobranças cessem, garantiu que vai acionar a Justiça para que uma indenização por danos morais seja paga aos seus clientes, pois estes tiveram o nome negativado.


Para obter o contraponto, a reportagem fez contato por WhatsApp com o presidente da Cresol Baser no estado, portanto também responsável geral pela cooperativa, inclusive pela filial Piratini. Afrânio Dalcin, obteve de nossa parte um resumo da situação em questão através de quatro áudios, todos visualizados, mas até o fechamento da matéria em torno das 18h do dia 20, não havia emitido qualquer resposta, o que continuaremos a esperar para que esta seja publicada.


Reportagem: Nael Rosa

Contato: 53- 9-9950-2191

Email: naelrosaeufalei@gmail.com

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