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  • Foto do escritorNael Rosa

Situação precária da ERS-265 causa outro acidente e proprietário de caminhão afirma que processará o Estado


Foto: divulgação

Depois de ter R$ 6 mil de prejuízo na mesma estrada no dia 7 de junho, Jean não sabe quanto terá que desembolsar para reconstruir a carroceria do caminhão

Os transtornos, problemas e prejuízos enfrentados por quem trafega ou reside às margens da ERS- 265,  rodovia estadual que permite se deslocar entre Piratini e Canguçu, são históricos e há 12 anos são destacados  pelo Jornal Tradição.


Na manhã da segunda-feira (10) um acidente que poderia ter acabado em tragédia, mas que, felizmente o resultado foi apenas danos materiais, evidenciou não só estado precário do trajeto entre as duas cidades, mas novamente, a indignação de quem está exausto de trabalhar sem as condições necessárias, e também de pedir socorro ao governo do Estado,  sem que de fato haja uma resposta à altura da necessidade.


“Estamos cansados. Eu uso esta estrada há 10 anos e ela só piora. No dia 7 deste mês, quebrei o diferencial do caminhão e, apenas para comprar a peça, gastei R$ 6 mil. Um dia antes de este caminhão tombar, furou o radiador da minha caminhonete e, agora, de novo, mais prejuízo”, lamentou Jean Franklin Ferreira, 29 anos, que, ao ser questionado sobre a esperança de dias melhores neste sentido, resume: “Não, não tenho esperança. Entendo que nem mesmo meus filhos verão um dia esta rodovia pavimentada”.


Ele é o proprietário do caminhão que, ao tentar vencer um trecho de subida da estrada não pavimentada, se deparou com o chamado “borrachudo”, um buraco que levou à falta de freio no veículo guiado pelo motorista Pedro Oliveira da Silva, 55 anos, que usou a experiência ao volante para evitar um desfecho trágico.


“Sim tive medo. Mas não tentei virar o arranque quando o motor apagou e me mantive frio, pois quando o freio não funcionou e o caminhão desceu em alta velocidade, me dei conta que, logo abaixo, há uma sanga que, seu eu caísse nela, poderia ser o meu  fim nessa estrada que durante os cinco anos que a uso, nada melhorou”, afirmou o condutor.


Para Jean, Pedro e outros tantos amigos que correram para ajudar, restou fazer o transbordo de parte da carga espalhada à beira da rodovia, para uma caçamba, forma encontrada para reduzir o gasto que ele terá para, outra vez, consertar seu instrumento de trabalho.


“Se eu não recolhesse parte da soja, teria que pagar do meu bolso. Somente para  adquirir o diferencial, eu preciso transportar seis cargas com soja. Essa era a sexta e olha no que deu. Não tenho ideia de quanto vai custar a carroceria, nada incomum, afinal, por também ser um mecânico e ter uma oficina, atendo com frequência a outros motoristas que, assim como eu, são vítimas desse descaso”.


Ele concluiu afirmando que, depois de inúmeros pedidos, a motoniveladora (patrola), se deslocou para fazer os reparos, mas que só entrou em ação, a seguir do tombamento do caminhão, quando ele exigiu que isso fosse feito e que acionará o Estado para tentar ser ressarcido do prejuízo.


“Até meu caminhão virar, já não chovia há dez dias. No dia 6 deste mês, a máquina veio, mas nada fez e só passou a trabalhar quando fiz contato com o responsável e exigi que reparassem ao menos o ponto que causou o acidente. Reuni imagens, (fotos e vídeos) desta situação, registrei Boletim de Ocorrência junto à Polícia Rodoviária Estadual, e vou mover uma ação junto à Justiça e, quem sabe, desta forma consigo que paguem por este dano ”. 


Em resposta, o Daer justificou que, somente em Canguçu, em apenas em 22 dias do mês passado e nos seis primeiros dias de junho,  choveu 380 milímetros. Assim, a observação de Ferreira, sobre os dez dias sem chuva e sem a realização do serviço, não procede.

 

“As condições técnicas da rodovia no mês de maio tornaram-se totalmente impraticável a sua conservação. O Daer retomou a conservação da estrada a partir de Piratini, no dia 29 de maio e, mesmo com as condições climáticas adversas e o fato de o revestimento da rodovia estar totalmente encharcado,  após essa data realizamos um incremento na equipe, mobilizando uma de escavadeira, uma retroescavadeira, um patrola, rolo compactador e caminhões”, informou o  Núcleo de Assessoria de Imprensa.


Por fim,  o setor da autarquia garantiu que há previsão  de  reforço de revestimento primário em diversos segmentos dos 50 quilômetros da estrada entre os dois municípios.

 

Reportagem: Nael Rosa


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