• Nael Rosa

Voluntária fala do amor pelos cães que recolhe das ruas em Piratini

Foto: Nael Rosa

"Minha vida era muito parada antes da chegada deles", conta Terezinha

Eles sentem fome, sede, frio, dor, necessidade de carinho, lar, enfim. Porém, o abandono e os maus-tratos mostram que muitos seres humanos são incompreensíveis e insensíveis às necessidades dos cães, realidade que em Piratini não é diferente.


Mas, ainda bem, tamanha maldade, de quem, inclusive um dia resolveu acolhê-los com a intenção de ter um amigo, não é regra, muito embora ainda careça de muitos bons exemplos.


Ela, que tem 57 anos, é solteira e mora sozinha, se vê ao chegar do trabalho de meio turno, cercada de amor pelos 12 cães, sendo nove destes recolhidos das ruas e que retribuem o amor recebido com latidos e seus rabos que são intensamente abanados, o que demonstra extrema felicidade pelo acolhimento, que na maioria das vezes, significou a salvação da morte, tem uma linda história a ser contada.


“Já estive com vinte sob meus cuidados. Muitos, inclusive uma cadela que caiu em uma armadilha para javalis e precisou ter a pata amputada, são vítimas de maus-tratos ou abandono. Alguns eu peguei quando caminhava pela rua. Me deu pena e eu trouxe para casa”, conta a servente de limpeza Terezinha Bonoto, a Tê, como é conhecida.


O lar, na Avenida 6 de Julho, serve como uma espécie de “casa de passagem” para os animais até que estes sejam adotados, o que nem sempre ocorre.


“Está muito difícil doar e o abandono de cães é cada vez maior. Eu não faço tudo sozinha, pois tenho a ajuda do Projeto São Francisco de Assis, entidade a qual já pertenci e que recolhe alguns deles (cães), e que me auxiliam na alimentação e nos tratamentos veterinários quando estes são necessários”, esclarece Tê, destacando que não teria condições de abrigar tantos bichos se não tivesse a ajuda das ativistas do São Francisco.


A tarefa cotidiana não é das mais fáceis, mas ela, que admite ser algo difícil para quem decidiu ser sozinha, justifica sua tamanha dedicação aos caninos.


“É uma função. Nem quando estou folgando aos finais de semana eu tenho descanso. Não posso dormir até dez horas como fazia, já que tenho que alimentá-los. Mas tudo bem, pois faço isso por amor a estes bichinhos, minhas companhias, já que minha vida até então era bem sem graça, muito parada, e com a chegada deles a monotonia não existe mais”, revela.


Por fim, Tê reclama das pessoas que são relapsas e tem um conceito errado de quem , assim como ela, recolhem cães das ruas.


“As pessoas nos ligam, informam que tem um cachorro ou cadela em sua rua, passando fome ou doente, e querem que rapidamente nós o recolhemos. Não é assim. Temos vida, temos despesas, muito trabalho com eles e quase nenhuma ajuda. Falta conscientização para, por exemplo, levar os donos a esterilizarem as suas cadelas, (castrar) o que, em caso de falta de condições financeiras para isso, podem requisitar ajuda inclusive da Ong Amigo do Bicho, uma vez que assim sai mais barato ou é pago pela entidade se tratando de amimais em situação de abandono”. Somente a castração é a saída para reduzir a proliferação de animais pelas ruas. Ainda é preciso que muitos se conscientizem”, pede Terezinha.

Reportagem: Nael Rosa

Contato: 53- 9-99502191

Email: naelrosaeufalei@gmail.com

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